torre autonómica _ project

> torre autonómica | plate – medal | reference| special project

*

INTRODUÇÃO

Tendo por base a necessidade de se criar uma placa – medalha que reflectisse o contexto sociocultural dos Açores, a peça desenvolvida para a Presidência do Governo Regional dos Açores obedeceu a dois requisitos principais:

1) – Carácter simbólico

2) – Forma – função

CARÁCTER SIMBÓLICO

No que respeita ao carácter simbólico, foi necessário relacionar elementos de natureza sociocultural a valores de ordem estética.

Elementos socioculturais

Tendo como ponto de partida uma caricatura de Augusto Cabral “A Torre Autonómica” concebida em 1895, o presente projecto desenvolve o conceito de construção e unidade dos Açores preconizado pela referida caricatura.

O isolamento geográfico entre as ilhas associado a um povoamento sociocultural diferenciado, determinou matrizes próprias em cada ilha. Do mesmo modo que em 1895 em que o espirito da luta autonómica encetada pelo Povo Açoreano procurava a construção e unidade dos Açores, o processo autonómico da actualidade desenvolve os mesmos valores, assumindo uma identidade e unidade Regional fundamentada na diversidade das ilhas.

Corporizando este conceito, o projecto desenvolvido fundamenta-se na ideia de torre, representando desta forma a unidade dos Açores, construída através de nove módulos, em aço, cobre e bronze que simbolizam a construção do projecto autonómico e a unidade na diversidade de todas as ilhas.

Elementos estéticos

Reflectindo a identidade plural das ilhas dos Açores nas vertentes natural e humana, o valor poético que resulta do contraste directo de um conjunto de módulos de forma côncava / convexa articulados ou não entre si, e associados à natureza plástica dos materiais propostos (cor, matéria e textura) determina leituras de valores simbólicos e plásticos plurais. Por forma a respeitar estas características, evitou-se qualquer tipo de elementos gráficos de “adorno” que pudessem “desorientar” o espectador, inserindo-se unicamente elementos relativos à função da peça como o Brasão e texto identificativo da Região. A solução desenvolvida, para além de reforçar a plasticidade global das peças ao centrar a atenção do espectador nos elementos em destaque, (matéria – cor – forma e simbologia) possibilita os mais variados ritmos e contrastes estéticos através do contraste entre diferentes números de módulos, existindo a possibilidade de construir peças de um a nove módulos idênticos ou não, ou seja, peças todas em aço, cobre ou bronze ou em aço/bronze, bronze/cobre, cobre/aço, cobre/aço/bronze. Esta característica multiforme, permite personalizar a relação entre a peça e o seu possuidor, ampliando a sua vocação expressiva e portanto o seu grau de fruição .

*
II – FORMA-FUNÇÃO

No que respeita à forma-função indicada para uma medalha, relacionaram-se valores de ordem estética-simbólica à forma-função .

Função

Em relação à função, considerou-se a necessidade da peça não se ficar pela ideia de uma medalha “tradicional”, mas sim, imprimir um valor duplo de utilização que conciliasse a função simbólica à função estética. Deste modo, privilegiou-se a autonomia do objecto face a outras utilizações que não fossem a de uma obra de vertente marcadamente artísticas e simbólicas. Neste sentido, concebeu-se uma peça que funcionasse isoladamente ou não, ganhando desta forma leituras diversas que reforçam o valor de unidade dos diferentes conjuntos de módulos possíveis e em simultâneo possibilitar uma hierarquização através de uma escolha seletiva dos referidos módulos, seu número e suas características plásticas (cor e tipo de metal) .

Forma

Caracterizando a peça desenvolvida quanto à sua forma, concebeu-se um módulo com características curvas (côncava / convexa) que possibilitasse leituras múltiplas através de um conceito de construção (sobreposição e encaixe). Este conceito, para alem de dispensar qualquer tipo de suporte reforçando a sua presença e integridade enquanto objecto, permite à peça ter características multiformes, podendo por isso construir-se isoladamente ou em conjuntos de dois , três, quatro, seis, oito ou nove módulos.

Torre Autonómica: Produção: Presidência do Governo Regional dos Açores| Concepção: Filipe Franco | Execução: Medaglis,Lisboa – 2004

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s